segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

7 anos 7 meses e 11 dias

7 anos 7 meses e 11 dias é o tempo em que o senhor Cândido está no abrigo. Sua filha o deixou lá pra morrer segundo ele. Lúcido, engaçado, feliz e magoado. Não julgo. Aceito sua revolta. Faz parte da sua experiência de vida.
Até tentei amenizar sua mágoa, mas a mágoa era tudo que ele tinha. Ele não queria perdê-la.
Deixei. Mudamos de assunto. Sorrimos e brincamos temporariamente.
Quando tento imaginar o que aquele senhor projetava para sua vida me pego pensando, o que importa? Ninguém se importa. Ninguém se importou.
Tudo tão superficial. 
Será que o superficial é o lugar certo?
Será que não devemos nos aprofundar nos sentimentos, nas explicações, nos questionamentos?
Porque é no superficial que está tudo bem. 
É no superficial que #soufeliz é verdadeiro.
A moda agora é colocar sua energia no bom. Então, vamos colocar nossa energia no superficial.
Hmmmm. Que pequeno.
Penso diferente, aceitar o verdadeiro é mais libertador. 
Pode ser mais triste em alguns momentos, mas não em outros. Ao menos, é verdade.
Ao menos, não desaba quando você cansa de segurar todos os pilares da grande mentira que se tornou sua vida.
Deus não criou a humanidade para passar por todos esses desafios sozinha. Por isso ele nos organizou em famílias.
Seu Cândido estava muito triste com sua filha. E aceita essa decepção. Ele tem esse direito.

#limitesinvisiveis

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